segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Fichamento do texto "Ensinar, aprender, apreender e processos de ensinagem.

Autora do texto completo: Léa das Graças Camargos Anastasiou

1. Ensinar
Um dos elementos básicos de discussão da ação docente refere-se ao ensinar, ao aprender e ao apreender. Essas ações são muitas vezes consideradas e executadas como ações disjuntas, ouvindo-se até de professores afirmações do tipo: “eu ensinei, o aluno é que não aprendeu”.
Isso decorre da idéia de que ensinar é apresentar ou explicar o conteúdo numa exposição, o que a grande maioria dos docentes procura fazer com a máxima habilidade de que dispõe; daí a busca por técnicas de exposição ou oratória, como elementos essenciais para a competência docente. Historicamente, sabe-se que o modelo jesuítico, presente desde o início da colonização do Brasil pelos portugueses, apresentava em seu manual, Ratio Studiorim – datado de 15991 -, os três passos básicos de uma aula: preleção do conteúdo pelo professor, levantamento de dúvidas dos alunos e exercícios de fixação, cabendo ao aluno a memorização para a prova.
A compreensão do que seja ensinar é um elemento fundamental nesse processo. O verbo ensinar, do latim insugnare, significa marcar com um sinal, que deveria ser de vida, busca e despertar para o conhecimento. Na realidade da sala de aula, ppode ocorrer a compreensão, ou não, do conteúdo pretendido, a adesão, ou não, as formas de pensamentos mais evoluídas, a mobilização, ou não, para outras ações de estudo e de aprendizagem. Como outros verbos de ação, ensinar contém, em si, duas dimensões: uma utilização intencional e uma de resultado, ou seja, a intenção de ensinar e a efetivação dessa meta pretendida.

1. 2 Aprender e apreender
Existe também uma diferença entre aprender a apreender, embora nos dois verbos exista a relação entre os sujeitos e o conhecimento. O apreender, do latim apprehendere, significa segurar, prender, pegar, assimilar mentalmente, entender, compreender, agarrar. Não se trata de um verbo passivo; para apreender é preciso agir, exercitar-se, informar-se, tomar para si, apropriar-se, entre outros fatores. O verbo aprender, derivado de apreender por síncope, significa tomar conhecimento, reter na memória mediante estudo, receber a informação de…
É preciso distinguir quais ações estão presentes na meta que estabelecemos ao ensinar. Se nossa meta se refere à apropriação do conhecimento pelo aluno, para além do simples repasse da informação, é preciso se reorganizar, superando o aprender, que tem se resumido em processo de memorização, na direção do apreender, segurar, apropriar, agarrar, prender, pegar, assimilar mentalmente, entender e compreender.
Daí a necessidade atual de se revisar o “assistir a aulas”, pois a ação de apreender não é passiva. O agarrar por parte do aluno exige ação constante e consciente: informar-se, exercitar-se, instruir-se. O assistir ou dar aulas precisa ser substituído pela ação conjunta do fazer aulas. Nesse fazer aulas é que surgem as necessárias formas de atuação do professor com o aluno sobre o objeto de estudo e a definição, escolha e efetivação de estratégias diferenciadas que facilitem esse novo fazer.

1.3 Processo de ensinagem
Foi diante dessas reflexões que surgiu o termo ensinagem, usado então para indicar uma prática social complexa efetivada entre os sujeitos, professor e aluno, englobando tanto a ação de ensinar quanto a de apreender, em um processo contratual, de parceria deliberada e consciente para o enfrentamento na construção do conhecimento escolar, decorrente de ações efetivadas na sala de aula e fora dela.
Nesse contexto, é fundamental a mediação docente, que prepara e dirige as atividades e as ações necessárias e buscadas nas estratégias selecionadas, levando os alunos ao desenvolvimento de processos de mobilização, construção e elaboração da síntese do conhecimento (Vasconcellos, 1994). Situamos, assim, as estratégias como ferramentas de trabalho, definidas pelos docentes e/ou pelo contrato didático, estabelecido no início do ano ou semestre, fase, módulo, etc.

1. 4 Processo de ensinagem: o movimento necessário
Para entender o movimento do pensamento, é importante retomar os elementos da metodologia tradicional. Como a inteligência era associada à memorização, o trabalho docente se dirigia à explanação do conteúdo e à manutenção da atenção do aluno. A exposição era o centro do processo, acompanhado da anotação e memorização: a estratégia predominante era a da aula expositiva tradicional.
O movimento pretendido era o de encaminhamento do estudante na direção de ações que garantissem a aprendizagem, tal como era vista na época.
Pela proposta atual, no processo de ensinagem a ação de ensinar era diretamente relacionada à ação de apreender, tendo como meta a apropriação tanto do conteúdo quanto do processo. As orientações pedagógicas não se referem mais a passos a serem seguidos, mas a momentos a serem construídos pelos sujeitos em ação, respeitando sempre o movimento do pensamento. Diferentemente dos passos, que devem acontecer um após o outro, os movimentos não acorrem de forma estanque, fazendo parte do processo de pensamento.

1. 5 O movimento e o método dialético: breve incursão
A discussão acerca do movimento existente na natureza e, por conseqüência, no própria pensar humano precisa considerar uma diferenciação na lógica que vem fundamentando historicamente a ciência e o seu avanço. Se a ciência é buscada e explicitada por uma teoria fiolosófica e se o conhecimento gerado é derivado dela, é preciso ter clara essa lógica. Ela vai fundamentar e direcionar o conteúdo que por sua vez irá interferir na organização ou na forma de apropriação do conhecimento.
Pontuamos que a lógica formal representa uma síntese importante que possibilita a organização e a explicitação do conhecimento obtido em cada momento histórico, oferecendo ferramentas essenciais para o trabalho docente. Se o professor subsidiar sua ação docente apenas nessa lógica, organizará situações de apresentação do conhecimento, geralmente, em aula expositiva, mas quando tem a visão da necessidade das outras etapas organiza atividades com as quais o aluno possa generalizar, diferenciar, abstrair e simbolizar os conceitos trabalhados.
A lógica dialética considera que, além dos princípios de identidade e negação, na base do processo de construção do conhecimento estão os princípios de movimento, contradição, existência de uma visão inicial e sincrética trazido pelo aluno e de uma possibilidade de análise intencional e sistemática, visando à construção de sínteses, sempre provisórias, a serem efetivadas no processo do pensar humano, em ação conjunta de alunos e professores.
Portanto, o processo de reflexão mediatiza a apreensão da realidade, devendo-se considerar que o momento de chegada ao símbolo, etapa final do ensino baseado na lógica formal, se torna ponto intermediário do processo de apreensão pela lógica dialética. É necessário realizar todo um “caminho de volta”, do símbolo a ser confrontado com a realidade para a teoria existente.
Esses elementos, conduzem a um posicionamento acerca da visão de conhecimento da qual decorre uma ação diferenciada no processo de ensino-aprendizagem. Se os elementos da lógica formal devem ser superados pelas contribuições da lógica dialética, por incorporação e não por rejeição, também o serão na construção da didática necessária em sala de aula, hoje, na universidade.
O processo de reflexão sistemática mediatiza a apreensão da realidade, devendo se considerar que o momento de chegada ao símbolo, proposto por Herbart (1820, apud Saviani, 1982) como passo final no ensino tradicional, se torna o momento intermediário do processo de apreensão via dialética: é necessário realizar todo um “caminho de volta”, do símbolo pela realidade e para a teoria existente.

1. 6 As operações de pensamento
Num estudo sobre operações de pensamento, encontra-se o pensar como forma de perguntar pelos fatos, estudando-os em direção aos objetivos, havendo assim um caráter intencional. Quando nos debruçamos sobre qualquer aprendizado, para além da simples memorização, todos nós efetivamos várias dessas operações de pensamento. Mas muitas vezes, até por desconhecimento, não refletimos sobre os desafios contidos nas diversas atividades propostas aos alunos. Se tivermos a clareza da complexidade delas e a intencionalidade de desafiarmos progressivamente nossos alunos na direção da construção do pensamento cada vez mais complexo, integrativo, flexibilizado, será impossível prever até onde chegaremos nos processos de ensinagem…
Essas operações estão também presentes nas ações que operacionalizamos com os alunos, nos três momentos propostos na metodologia dialética: mobilização, construção e elaboração da síntese do conhecimento, visando ao conhecimento da visão inicial ou sincrética, à efetivação da análise e à busca de uma síntese qualitativamente superior.
Raths et al. (1977) destacam os comportamentos que dificultam o pensar; citam a impulsividade, a excessiva dependência em relação ao professor, a incapacidade para concentrar-se, a incapacidade para ver o significado, os processos de rigidez e inflexibilidade de comportamento, além da falta de disposição para pensar. São elementos que interferem nas novas formas de organizar o processo de ensinagem.
Pontuamos que um dos grandes desafios do professor universitário é o de selecionar, a partir do campo científico em que atua, os conteúdos, os conceitos e as relações; em outras palavras, a rede pretendida, composta por elementos a serem apreendidos.

OPERAÇÃO

DE

PENSAMENTO

CONCEITO/RELAÇÕES
Comparação
Examinar dois ou mais objetos ou processos com intenção de identificar relações mútuas, pontos de acordo e desacordo. Supera a simples recordação, enquanto ação de maior envolvimento do aluno.
Resumo
Apresentar de forma condensada a substância do que foi apreciado. Pode ser combinado com a comparação.
Observação
Prestar atenção em algo, anotando cuidadosamente. Examinar minuciosamente, olhar com atenção, estudar. Sob a idéia de observar existe o procurar, identificar, notar e perceber. É uma forma de descobrir informação. Compartilhada, amplia o processo discriminativo. Exige objetivos definidos, podendo ser anotada, esquematizada, resumida e comparada.
Classificação
Colocar em grupos, conforme princípios, dando ordem à existências. Exige análise e síntese, por conclusões próprias.
Interpretação
Processo de atribuir ou negar sentido à experiência, exigindo argumentação para defender o ponto proposto. Exige respeito aos dados e atribuição de importância, causalidade, validade e representatividade. Pode levar a uma descrição inicial para depois haver uma interpretação do significado percebido.
Crítica
Efetivar julgamento, análise e avaliação, realizando o exame crítico das qualidades, defeitos, limitações. Segue referência a um padrão ou critério.
Busca de suposições
Supor é aceitar algo sem discussão, podendo ser verdadeiro ou falso. Temos que supor sem confirmação nos fatos. Após exame cuidadoso, pode-se verificar quais as suposições decisivas, o que exige discriminação.
Imaginação
Imaginar é Ter alguma idéia sobre algo que não está presente, percebendo mentalmente o que não foi totalmente percebido. É uma forma de criatividade, liberta dos fatos e da realidade. Vai além da realidade, dos fatos e da experiência. Socializar o imaginado introduz flexibilidade às formas de pensamento.
Obtenção e organização dos dados
Obter e organizar dados é a base de uma trabalho independente; exige objetivos claros, análise de pistas, plano de ação, definição de tarefas-chave, definição e seleção de respostas e de tratamento delas, organização e apresentação do material coletado. Requer identificação, comparação, análise, síntese, resumo, observação, classificação, interpretação, crítica, suposições, imaginação, entre outros.
Levantamento de hipóteses
Propor algo apresentado como possível solução para um problema. Forma de fazer algo, esforço para explicar como algo atua, sendo guia para tentar solução de um problema. Proposição provisória ou palpite com verificação intelectual e inicial da idéia. As hipóteses constituem interessante desafio ao pensar no aluno.
Aplicação de fatos e princípios a novas situações
Solucionar problemas e desafios, aplicando aprendizados anteriores, usando a capacidade de transferências, aplicações e generalizações ao problema novo.
Decisão
Agir a partir de valores aceitos e adotados na escolha, possibilitando a análise e consciência deles. A escolha é facilitada quando há comparação, observação, imaginação e ajuizamento, por exemplo.
Planejamento de projetos e pesquisas
Projetar é lançar idéias, intenções, utilizando-se de esquema prelimina, plano, grupo, definição de tarefas, etapas, divisão e integração de trabalho, questão ou problema, identificação das questões norteadoras, definição de abrangência, de fontes, definição de instrumentos de coleta de dados, validação de dados e respostas, etapas e cronograma. Requer assim, identificação, comparação, resumo, observação, interpretação, busca de suposições, aplicação de princípios, decisão, imaginação e crítica.

Esse desafio, além das considerações já tecidas sobre as exigências dos processos de pensamento, também se dá devido a complexidade, heterogeneidade, singularidade e flexibilidade do conhecimento produzido e em produção, uma vez que a ciência está em constante construção. Após essas escolhas, que direcionam o processo proposto, tendo como referência a metodologia dialética, o professor define as estratégias.
É essencial o processo de análise realizado em aula com a mediação do professor, que deliberadamente planeja, propõe e coordena estratégias compostas por suas ações e dos alunos, visando à superação da visão sincrética inicial por percepções, visões e ações cada vez mais elaboradas. Isso requer, por parte dos estudantes, um processo de apropriação ativa e consciente dos conhecimentos, dos fundamentos das ciências e de sua aplicação prática.
Por isso, a ação de ensinar não pode se limitar à simples exposição dos conteúdos, incluindo necessariamente um resultado bem-sucedido daquilo que se pretende fazer, no caso a apropriação do objeto de estudo.
1. 7 Dos passos aos momentos
A partir da década de 1980, encontramos em Saviani (1982) uma crítica ao modelo de ensino por passos, com uma reorientação para os momentos. O autor nos sugere cinco momentos a serem considerados no trabalho de construção dos conhecimentos com os alunos. Pontuamos que os momentos são destacados para que, didaticamente, possamos refletir sobre eles, mas não ocorrem de modo estanque.
Destacando-os, teremos os que se seguem: é fundamental considerar-se a prática social do aluno, partindo da percepção que o aluno traz do objeto de estudo, de sua realidade para a aula. Essa prática social ou visão será problematizada, ou seja, será submetida a um processo crítico de questionamento. Para a resposta a esses questionamentos, a instrumentalização é um momento necessário. Nele, as sínteses já existentes na ciência dão suporte para as buscas realizadas. Outro momento refere-se à interiorização dos novos elementos ou conteúdos pela catarse, para finalmente se chegar à prática social reelaborada, favorecendo ao aluno construir novos elementos perceptivos com os conteúdos apreendidos, por meio das situações organizadas pelo professor.

1. 8 Na busca de uma síntese possível
O processo de ensinagem se efetivará nesse trabalho conjunto, na parceria dos professores entre si com os alunos, numa nova aventura do ensinar e apreender, do saborear na sala de aula da universidade.
Nisso está contido o desafio, uma aventura e um compromisso da conquista do conhecimento, com posicionamento de sedução e parceria, na direção de um fazer solidário. Por tudo isso, consideramos a ensinagem como desafio a uma ação docente inovadora e comprometida.




Fichamento feito por Najla Almeida, a partir de contribuições dos grupos de trabalho da turma de Didática Geral.

Fichamento do texto "Avaliação formativa ou avaliação mediadora?

Autora do texto completo:: Jussara Hoffman

Avaliação Formativa ou avaliação mediadora?

Introdução

Ao avaliar efetiva-se um conjunto de procedimentos didáticos que se estendem sempre por um longo tempo e se dão em vários espaços escolares, procedimentos de caráter múltiplo e complexo tal como se delineia um processo.
É preciso, então, pensar primeiro em como os educadores pensam a avaliação antes de mudar metodologias, instrumentos de testagem e formas de registro. Mesmo que o educador trabalhe com muitos alunos, sua relação, no processo avaliativo, estabelecer-se-á de forma diferente com cada um deles.
Todo processo avaliativo tem por intenção: a) observar o aprendiz; b) analisar e compreender suas estratégias de aprendizagem; e c) tornar decisões pedagógicas favoráveis à continuidade do processo. O significado essencial desses registros é servirem de pontos de referência para a continuidade das ações educativas, do próprio professor ou de

Processo subjetivo e multidimensional

Pretender constituir a avaliação da aprendizagem num processo objetivo, normativo e padronizado é deturpá-la em seu significado essencial – de humanidade. É preciso valorizar as diferenças individuais sem jamais perder de vista o contexto interativo. Toda relação de saber se dá a partir da interação do sujeito com os objetos de conhecimento, da relação com os outros e da relação consigo próprio (CHARLOT, 2000).
É função da avaliação a promoção permanente de espaços interativos sem, entretanto, deixar de privilegiar a evolução individual ou de promover ações mediadoras que tenham sentido para o coletivo. Para que o processo avaliativo tenha sentido, as propostas educativas precisam estar articuladas em termos de gradação e complexidade.

Uma ação em três tempos

Avaliação é, portanto, uma ação ampla que abrange o cotidiano do fazer pedagógico e cuja energia faz pulsar o planejamento, a proposta pedagógica e a relação entre todos os elementos da ação educativa. A observação, a reflexão e a ação ocorrem em tempos não lineares, que podem se dar de forma simultânea ou paralela, na dinamicidade que caracteriza a própria aprendizagem.
É o movimento percebido que faz a diferença: viver a espontaneidade de cada momento, estabelecer o múltiplo diálogo com os aprendizes, com a flexibilidade necessária para fazer o desafio diferente a diferentes alunos dentro de um mesmo grupo. O que nos permite destacar dois princípios de um processo avaliativo mediador presentes na cena relatada: a) O princípio formativo/mediador: desenvolver estratégias pedagógicas desafiadoras para cada um e para todos os alunos a partir da observação e reflexão das manifestações individuais de aprendizagem; b) O princípio ético: cuidar mais e mais tempo de quem precisa mais.
Todos os dias, todas as horas e na dinâmica própria das salas de aula se fazem espontaneamente presentes os três tempos da avaliação mediadora: 1. O tempo da admiração: aprende a “ad-mirar” o sujeito aprendiz, a partir da convivência com o outro buscando um olhar mais amplo, mais intenso, sempre presente; 2. O tempo da reflexão: o tempo de refletir sobre jeitos de aprender, termos humildade no sentido de pensar no que somos e sabemos para interpretar o que se está vendo acerca da realidade observada; 3. O tempo da reconstrução das práticas avaliativas: o tempo que lhe dá essência, é o da ação reflexiva, da mediação.
Uma concepção formativa e mediadora
Diferente de uma questão processual a concepção formativa está no envolvimento do professor com os alunos e na tomada de consciência acerca do seu comprometimento com o progresso deles em termos de aprendizagens – na importância e natureza da intervenção pedagógica. A visão formativa parte do pressuposto de que, sem orientação de alguém que tenha maturidade para tal, sem desafios cognitivos adequados, é altamente improvável que os alunos venham a adquirir da maneira mais significativa possível os conhecimentos necessários ao seu desenvolvimento, isto é, sem que ocorra o processo de mediação

As contribuições de Piaget e Vygotsky
Os estudos de cunho piagetiano sugerem situações educativas que privilegiem desafios cognitivos ao invés Do “instrucionismo” que prevalece, hoje nas salas de aula. Para o educador que se baseia na perspectiva mediadora construtivista, o desafio está em propor atividades que sejam provocativas aos alunos, desde que adequadas às suas possibilidades de desenvolvimento, o que lhes exige, então, um grande conhecimento dos educandos. A concepção de aprendizagem de Piaget(1977) pressupõe desequilíbrio, conflito, reflexão e resolução de problemas.
Em Vygotsky (1991, 1991b, 1993, 1995), o conceito de mediação é central em termos do desenvolvimento humano como processo sócio-histórico. Como sujeito do conhecimento, o homem não tem acesso direto aos objetos do conhecimento. Esse acesso mediado por elementos mediadores a partir dos quais se dá a transposição dos significados do mundo real para o seu pensamento (representações). De acordo com essa teoria, o educador não deve levar em conta, como ponto de partida para a ação pedagógica, apenas o que o aluno já conhece ou faz, mas principalmente, deve pensar nas potencialidades cognitivas dos educandos, fazendo outros desafios e mais exigentes no sentido de envolvê-los em novas situações, de modo a provocá-los, permanentemente, à superação cognitiva.

O papel mediador do professor
Dessa forma, tanto Piaget quanto Vygotsky fundamentaram o papel insubstituível do educador na construção do conhecimento, defendendo a importância da interação adulto/acriança e criança/criança como desencadeadora dos processos de aprendizagem e de desenvolvimento.
Em sintonia com tal perspectiva teórica, o processo de avaliação mediadora tem por intenção, justamente, promover melhores oportunidades de desenvolvimento aos alunos e de reflexão crítica da ação pedagógica, a partir de desafios intelectuais permanentes e de relações afetivas equilibradas. A partir dessas considerações teóricas sobre a mediação, pode-se transpor para a prática avaliativa três princípios essenciais: O princípio dialógico/interpretativo da avaliação: a intenção é a de convergência de significados, de diálogo, de mútua confiança para a construção conjunta de conhecimentos; O princípio da reflexão prospectiva: avaliar como um processo que se embasa em leituras positivas das manifestações de aprendizagem dos alunos, olhares férteis em indagações; O princípio da reflexão-na-ação: avaliar como um processo mediador se constrói na prática.
Para acompanhar o ritmo alucinado de uma escola, de muitas horas de trabalho com crianças e adolescentes, é certo que não basta ser consciente do caráter mediador e interativo da avaliação. Penso que temos de admitir que não sabemos e tentar descobrir como fazer.

Fichamento feito por Najla Almeida, a partir de contribuições dos grupos de trabalho da turma de Didática Geral.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Para registar: GT's Estágio-Observação I - Pauta para observação na escola

Grupo de trabalho: Estágio-Observação I

  • Pauta para observação na escola

GT 1: Ana Karolina, Joyce Alves, Karla Cássia.
  • Localização
  • Estrutura física (quantidade de salas, banheiros, biblioteca)
  • Horário de funcionamento
  • PPP e sua função, dirigida por qual concepção
  • Público atendido
  • Acessibilidade
  • Recursos didáticos
  • Problemas enfrentados na escola e sua autonomia
  • Relação comunidade/escola
  • Matriz curriculares
  • Projetos implantados

GT 2: Elaine Assunção, Ana Paula, Leonardo Araújo.
  • Projeto Político-pedagógico
  • Identificação
  • Contexto social
  • Organização Curricular
  • Autonomia da escola
  • Quesitos de aprovação/reprovação/desistência
  • Dados Gerais
  • Histórico
  • Materiais didáticos
  • Metologia

GT 3: Viviane Fernandes, Aline Martins, Israel Andrade, Laís Leal
  • Estrutura da escola
  • Funcionamento da escola
  • Material didático
  • Problemas enfrentados
  • Localização da escola
  • Eventos ocorridos na escola

GT 4: Rávina, Laiz, Germana
  • A relação entre escola e comunidade
  • Se existem projetos para que os alunos participem no contra-turno
  • Quais os recursos didáticos existentes na escola (laboratório, datashow, biblioteca)
  • Se a escola fornece recursos para o bom desempenho do trabalho do professor
  • Estrutura da escola (acessibilidade, ventilação, iluminação, etc)
  • Identificação da escola: nome, endereço, níveis e modalidades de ensino, turno de funcionamento, dependência administrativa.
  • Contexto social
  • Como são organizadas as turmas
  • Biblioteca e organismos colegiados funcionando ativamente?
  • Como os alunos são atendidos.
GT 5: Kelvia Cristina, Lygia Monte, Michelly Silva.
  • Estrutura física da escola
  • Relação escola-comunidade
  • Métodos de ensino
  • Posicionamento da escola frente aos problemas recorrentes ao ensino
  • Projetos pedagógicos extracurriculares
  • Relação do corpo docente com os educandos
  • História da escola
  • Núcleo gestor (quantidade/formação)

GT 6: Dandara Silva, Joelma Maria, Lourenço Felipe.
    Acesso:
  • Endereço/bairro
  • Público-alvo
  • Processo de matrícula
  • Organização das turmas
    Estrutura:
  • Pátio
  • Salas
  • Cozinha (refeitório)
  • Dispensa
  • Banheiros
  • Bibioteca
  • Quadra de esportes
    PPP (Projeto Político Pedagógico
  • Autonomia da escola
  • Concepções da escolares
  • Projetos existentes na escola
  • Matriz curricular

GT 7: Ana Laíse, Mariana Muniz, Ramona Sousa
  • Estrutura e funcionamento da escola
  • Organização escolar
  • Recursos didáticos
  • Quais os problemas enfrentados
  • Onde se localiza
  • PPP
  • Eventos culturais realizados
  • Currículo pedagógico

GT 8: Jane Maria, Camila Assunção
  • Primeiramente observar a escola em seu aspecto físico estrutural, onde está inserida, o bairro, o meio social, administração escolar.
  • A sala de aula como já engloba a estrutura física e podemos levar em conta também a forma de ensino, o comportamento dos alunos que influência direto na relação professor-aluno escola/professor-aluno.
  • Observar o professor, o estímulo, a motivação não somente o investimento governamental, mas também a prática da escola para com os professores, ver a formação do professor, sua qualificação e suas dificuldades.

GT 9: Clesimar Belmino, Antônio David, Ely Pereira, Kelly Maria.
  • Dados gerais(clientela, bairro etc)
  • Tamanho
  • Instalações
  • Recursos didáticos e de apoio
  • Os problemas da escola
  • Como ela está se organizando para enfrentá-los
  • Aprovação/reprovação/evasão
  • Como é feita a recuperação
  • Como é a relação com a comunidade e familiares
  • Matriz curricular
  • Projetos que existem na escola

GT 10: Luan Barbosa, Marina Silva, Yonara Deyse
  • Quais os dados gerais da escola
  • Tamanho do espaço da escola
  • Números de professores e alunos
  • Números de sala
  • Recursos didáticos
  • Quais os problemas que a escola enfrenta e o que a escola está fazendo para enfrentá-los
  • Reprovação, aprovação, evasão
  • Relação entre comunidade-escola
  • Existem projetos feitos na escola
  • Estão sendo implantados inovações na escola

GT 11: Ana Gabriella, Glemilson Alves
  • PPP
  • Estrutura da escola
  • Público-alvo
  • Atividades de rotina
  • Horário de funcionamento
  • Materiais didáticos
  • Projetos desenvolvidos pela escola
  • Relação da escola com a comunidade
  • Como a escola incentiva a formação continuada
  • Evasão
  • Repetência
  • Incentivos da escola para a leitura
  • Corpo docente
  • Observar se tem sala de multimeios
  • Observar a biblioteca
  • Observar se a escola é inclusiva
  • Observar se tem estrutura para pessoas com deficiência

GT 12: Jeisa, Mirella, Thalyta
PPP:
  • Apresentação dos alunos na escola
  • Identificação da escola
  • Nome/ endereço/ bairro/ séries/ turnos/ administração
  • Informar situação da escola para as ações propostas
  • Histórico da escola
  • Concepção filosófico-pedagógica.
  • Objetico geral da escola
Escola:
  • Clientela/ bairro/ população/comunidade
  • Quantidade de alunos, professores, turnos
  • Locais (salas)
  • Recursos didáticos
  • Problemas escolares/ soluções desses problemas
  • Aprovação/ reprovação/ evasão
  • Recuperação
  • Comunidade/ família/ alunos/ escola.
  • Matriz curricular
  • Projetos escolares
  • Inovações na escola

GT 12: Adrielle Fernandes, Alessandra Thaís, Hallyson Dias.
  • PPP
  • Histórico da escola; localização
  • Missão
  • Estrutura física
  • Perfil do aluno atendido
  • Questão de horário, frequência, nº de alunos
  • Nº de funcionários
  • Recursos didáticos
  • Avaliação
  • Projetos
  • Currículo escolar
  • Escola (dados gerais)
  • Clientela/ comunidade/ bairro
  • Instalações
  • Nº de alunos, professores, turmas
  • Localização
  • Problemas escolares
  • Recuperação
  • Relação entre comunidade e escola
  • Inovações da escola


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Síntese/análise da aula -01/11/2016

Autores: Dandara Duarte, Joelma Maria, Karla Cássia.


    A aula começa com uma breve discussão sobre o significado da greve e o que aprendemos com ela, alguns alunos comentaram sobre o assunto. Em seguida a professora relembrou o filme que nós assistimos antes da greve: “Uma Escola em Havana”, no qual foram citados alguns elementos didáticos como: professor (a), escola pública, aluno (a) entre outros. Após os comentários relacionados ao filme, discutiu-se brevemente sobre a PEC 241 que atualmente foi alterada para PEC 55 e alguns colegas de sala demonstraram suas opiniões, a professora fez a indicação de um blog do Luis Carlos Freires que fala também sobre o assunto em questão.
    Juntamente com sua monitora, a professora mostra o cronograma de aulas e é pedido para que os estudantes tragam um relatório sobre sua participação terça-feira (08/11) na semana universitária valendo a presença daquele mesmo dia. Também foi dito sobre as mini-aulas.
    A classe foi divida em grupos para debaterem sobre o 1º estágio. O debate foi separado da seguinte forma: Escola Pública/ Escola Privada; Pontos Positivos/Pontos Negativos e apreciação. Cada equipe expôs o diagnóstico sobre as estruturas e o plano pedagógico de cada escola visitada.
    Os resultados mostraram que a maioria dos grupos foram para a escola pública; os pontos negativos se destacaram mais que os positivos em relação a estrutura e a ligação da família com a escola. Como ultima atividade e com a sala ainda dividida foi solicitado que trabalhássemos o planejamento e suas perspectivas. A dinâmica foi feita da seguinte maneira: montar o esquema e explicar as fases do planejamento de acordo como os textos estudados. Para finalizar visitamos cada uma das equipes ouvimos sobre as afirmações e contradições do planejamento. A atividade ficou para ser concluída na aula seguinte com a apresentação das equipes.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

CALENDÁRIO DE REPOSIÇÃO - CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES DE ESTUDO

             
ENC.
DATA
ATIVIDADES
12/04/2016
Integração do grupo – Apresentação/discussão do plano de ensino/ Contratos Didáticos
19/04/16
Unidade I
26/04/2016
Unidade I
4º e 5º
03/05/2016
Unidade I – Primeiro momento do estágio


Greve
01/11/2016
Unidade II - Planejamento
08/11/2016
Semana Universitária
22/11/2016
     Unidade II – Planejamento e preparação para mini-aula
29/11/2016
Unidade II – Mini-aula/ preparação para o segundo momento de estágio
10º e 11º
06/12/2016
Unidade II – Segundo momento do estágio
12º
13/12/2016
Unidade III – Ser professor/a
13° e 14º
20/12/2016
  Unidade III – Ser professor/a e preparação para o terceiro momento de estágio
15º
03/01/2017
Unidade III - Terceiro momento do estágio
16º
10/01/2017
Unidade IV – Didática e pesquisa
 17º
17/01/2017
    Unidade IV - Didática e pesquisa
18º
24/01/2017
     Encerramento – Avaliação

domingo, 1 de maio de 2016

Informações sobre a disciplina mediante estado de greve

Informações:

  • Dia 03/05 não teremos aula na UECE, todavia foi encaminhada a atividade do estágio-observação na escola, apesar do estado de greve a orientação é que continuem a atividade e o relatório que deve ser apresentado e entregue no dia 10/05, quando passaremos orientações sobre a disciplina correlacionando ao cenário atual da Universidade.
OBS: A apresentação será no formato de discussão em sala de aula.